quarta-feira, 8 de abril de 2015

Terminar com um BOOM | Ending with a BLAST





Moin, moin

Estou-vos a escrever ainda da Alemanha. É o último artigo para o blog deste ano. Foram 2 meses muito intensivos, com muito trabalho. Após este tempo todo, entre várias viagens, devagar se começa a conhecer a cultura Germânica. Deverá estar ainda a pensar porque diz “Moin, Moin” no inicio deste blog. Pois é assim que os Alemães do Norte da Alemanha se cumprimentam de manhã. Nas palestras não se “aplaude” com as mãos mas sim a “bater” nas mesas tal como fazemos ao “bater” numa porta antes de entrar. “Currywrust” (salsicha com molho picante) com batatas fritas substituiu o nosso bitoque, e com vários restaurantes e cafés portugueses, Bremerhaven facilmente se torna “familiar”.

Nestes 2 meses, tive a única oportunidade de rever a biologia e ecologia mais de 100 espécies e crustáceos que vivem no Oceano Antártico, trabalhando com colegas do Alfred Wegener Institute (AWI) e do Museu de Zoologia da Universidade de Hamburgo.  A rever esta informação, com ajuda das coleções destes institutos, também envolveu incluir mais de 500 artigos científicos para o trabalho, que focavam sobre a distribuição, relações tróficas e identificação das espécies estudadas. Além da vertente científica, não deveremos levar este conhecimento a todos, através de atividades educacionais? Bem, foi mesmo isso que se passou nesta última semana.

A Workshop sobre educação das regiões polares teve lugar em Hannover entre 1 e 4 de Abril, reunindo cerca de 50 participantes de 14 países de todo o mundo. Foi deverás importante debater o papel da educação nas regiões polares, reunir a última informação sobre as descobertas científicas, desenvolver novas metodologias educativas tendo como base essas descobertas, e debater o futuro da “Polar Educators International”, uma organização que surgiu após a conferência internacional de Montreal do Ano Polar International (2012) e que tem ocupado um nicho importante. Foram 2 dias super intensivos mas muito gratificantes, reunindo educadores, professores e cientistas polares num único lugar. O entusiasmo e dedicação de todos fizeram esta workshop um sucesso. A isto é o que se chama  acabar com um BANG!!!

















 

Moin, moin! I am still writing from Germany. This is my last article for the blog for this “expedition”.  They were 2 long months of intensive work. After all this time, between other trips, slowly I started to understand the German culture, You might be wondering why I said “Moin, moin!” in the begininning of the sentence. Well, that´s how we say “Good morning!” in the north of Germany. Another interesting fact here is that we do not aplaude by clapping our hands but by “knowcking” at the table in front of you (like we do when knocking at someone´s door before getting in). “Currywrust” (a sausage with curry sauce) with french fries substituted our typical Portuguese dish “Bitoque”, and with various Portuguese restaurants and cafes around, it made us feel pretty “home” in Bremerhaven. In these 2 months, I reveiwed the biology and ecology of more than 100 species of crustaceans from the Southern Ocean, working with colleagues from the Alfred Wegener Institute (AWI) and the Zoology Museum of the University of Hamburg.  While reviewing all this information, more than 500 research articles were included in the work. Beyond science, should we also focus on education, emphasizing the relevance of the work we do? This last week, a workshop on Education of the Polar Regions took place in Hannover (1-4 April 2015), bringing together around 50 pariticipants from 14 countries worldwide. This workshop was truly important to debate the relevance of the role of education in the polar regions, to develop new methodologies related to polar education, based on the most recente scientific findings. Under the coordination of the Polar Educators International (A new organization working intimately on polar education), these were 2 very intensive, highly rewarding, days of the workshop, with educators, teachers and polar scientists in a single place. The enthusiasm and dedication of all made it a success. This is what I call ending this expedition with a BANG!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Pinguins na Alemanha | German Penguins


Gutten morgen!!! 


Existe cerca de 50 países a fazer investigação na Antártida hoje. Temos países da Europa, Asia, África, Ocêania e das Américas, evidenciando  o papel importante da Antártida para o nosso planeta. Mas além da ciência e da diplomacia, a educação tem tido um papel cada vez mais forte, tal como evidenciado por um recente artigo na prestigiada revista Nature (Kennicutt et al. 2014). Porquê? Porque hoje em dia a informação flui com uma grande rapidez, através das novas communication tecnologias (internet, como através do facebook, twitter e/ou websites) e o acesso a informação útil e credível é cada vez mais importante. Também faz com que o nosso planeta pareça mais pequeno. Há 20 anos falar de pinguins era algo pouco usual nas nossas escolas, hoje temos cientistas portugueses a estudar pinguins e ir à nossas escolas a falar de viva voz como é estudá-los.

Tudo isto se reflete no nosso dia a dia com a globalização da informação. Um dos melhores exemplos é o caso onde estou agora, em Bremenhaven (Alemanha). Aqui, nesta cidade de pouco mais do que 500 000 habitantes (mais ou menos o tamanho do Porto, em Portugal), existem pinguins e ursos polares literalmente por todo o lado (atenção que os ursos polares raramente comem peixe). A cidade “respira” regiões polares!!!!

Vejamos...a equipa de hóquei no gelo de Bremenhaven chama-se “fischtown pinguins”, um dos mais prestigiados institutos de investigação polar está aqui (Alfred Wegener Institute), os restaurantes possuem pinguins gigantes a dar direções, as agência de viagens têm pinguins nas montras, até os centros comerciais possuem uma área alusiva à Antártida!!! Passado uns dias aqui, parece que estou bem mais perto da Antártida. Aliás, bem me fez recordar Punta Arenas e as Ilhas Falklands por uns breves segundos...


Nestas semanas de trabalho, onde passei muito tempo entre coleções, livros, artigos e reuniões, sair à rua naqueles dias bem frios de Fevereiro, bem me fez estar bem pertinho de todos os colegas que foram em trabalho de campo para a Antártida este ano! Espero que tenha corrido tudo bem!!!! Mas para eu saber, e aprender mais, basta um clic



Gutten morgen!!! 



There are about 50 countries active in Antarctic research or activities related to it. We have countries from Europe, Asia, Africa, Oceania and the Americas, reenforcing the importance of the Antarctic to the rest of the world. Beyond science and diplomacy, education has raised its profile, like it has been acknowledged recently in a article in Nature (Kennicutt et al. 2014). Why? Because today information travel really fast, through the new communication tecnhologies (facebook, twitter, websites, blogs, you name it) and access to useful and credible  information is everyday more importante. It also makes our planet smaller. 20 years ago, talking about penguins or polar bears (attention that fish is not common in the diet of polar bears) was something exotic....today it is common. Funny enough this global network does get reflected in our everyday lives and how gets into our culture, independently how far you are from the Antarctic or the Arctic. Examples? Bremerhaven (Northern Germany)! Here the hockey team is called “fischtown pinguins”, the travel agencies have penguins on their Windows, restaurants with big “penguins” diving directions, shopping malls even have an area devoted to the Antarctic...during these weeks of work, between collections, papers and books, going outside in a cold Winter day, really made me closer to my colleagues that gone to the Antarctic. Hope it went all well to all of them. How could I know? Well, to learn, I just have to click





domingo, 22 de março de 2015

O jogo dos tronos | Game of thrones




Gutten morgen!!! 


Com as alterações climáticas a afetar o Oceano Antártico, particularmente na Península Antártica, tem-se registado algumas mudanças importantes de quem domina a cadeia alimentar no Oceano. Nesta região, pensava-se que o krill do Antártico Euphausia superba era o rei mas nestas últimas décadas, mas os ventos de mudança das alterações climáticas, fez com que a sua abundância tenha estado a declinar. Por outro lado as salpas Salpa thompsoni (tunicatos marinhos (são como primos das ascídias, e mais distante das alforrecas e medusas) têm aumentado a sua abundância. Mais a norte, junto à Geórgia do Sul, temos notado que o krill do Antártico têm sido menos abundante em alguns anos, sendo substituido por uma espécie de zooplanctón carnívoro chamado Themisto gaudichaudii. Isto notou-se claro em 2009 na dieta dos pinguins gentoo Pygoscelis papua que de repente começa a alimentar-se destes pequenos organismos marinhos em vez do krill do Antárctico…

Estando a fazer uma revisão dos crustáceos do Oceano Antártico, noto que o Themisto até é muito abundante noutras paragens. Aliás ele possui uma distribuição circumpolar em águas do Oceano Antártico e em águas subantárticas. É uma das espécies mais numerosas em águas junto à superficie, entre o continente e a corrente oceânica subtropical. E sim, muitos predadores o comem, tais como peixe, lulas, pinguins, baleias, albatrozes, petreis, fulmares, moleiros e até focas. É particularmente importante na dieta de varias espécies de pinguins (Adelie, barbicha, macaroni, rockhopper e real).


Recordo-me como fosse ontem quando começei a encontrar o Themisto na dieta de pinguins gentoo em 2009. Em principio, julgava que era duas espécies pois uns tinham umas antenas mais curtas e outros individuos tinham umas antenas maiores e segmentadas. Foi através de pesquisa cuidada, com consulta de artigos cientificos e com colegas,  quefinalmente me levou a concluir que estava a olhar para as fêmeas e os machos respectivamente, de Themisto. Interessante, não é? Só recentemente se começou a ter mais estudos sobre a biologia do Themisto. Com este nosso estudo, mais informação sobre esta espécie vai estar disponível…mas existe ainda muito por fazer quer nesta espécie quer em outras semelhantes de zooplancton!!!!! Quem será o próximo no trono da abundância no Oceano Antárctico?


With climate change afecting the Southern Ocean, particularly in the Antarctic península, some important changes have been happenning in the water. In this region, Antarctic krill Euphausia superba was thought to be the King of abundance in the last decades, but the winds of change has been affecting it. In the last decades, Antarctic krill has decreased in abundance in the last 40 years in Antarctic Peninsula. On the other hand, salps Salpa thompsoni (marine tunicates) have been increasing in abundance. Further north, close to South Georgia, Antarctic krill has also been less available to predators in some years, being substituted by Themisto gaudichaudii (a carnivorous zooplankton species). This was particularly obvious when I was studying gentoo penguins Pygoscelis papua in 2009 at Bird Island Research station of the British Antarctic Survey. These penguins were feeding on Themisto  instead of krill...While doing this review, I noticed how important Themisto is. It has a circumpolar distribution in Antarctic and subantarctic waters, being one of the most numerous zooplankton species closer ot the surface. Yes, loads of predators feds on it, from fish, squid to albatrosses and whales. It is particularly important in the diet of certain species of penguins, such as Adelie, chinstrap, macaroni and royal penguins. Only recently there has been a signigficant improvement of the knowledge of the biology of Themisto....With our study, more information will be available...but there is still loads to do in marine sciences, particularly on the biology of zooplancton.... so that we can know more on who will be the next species on the throne of abundance in the Southern Ocean?





sábado, 14 de março de 2015

Museus são cool | Museums are cool


Gutten morgen!!! 


O que mais gostarias de fazer: trabalho de campo na Antártida ou trabalho de laboratório na Alemanha? Para mim, a resposta é... ambos (sim, estou a fazer batota, pois a pergunta exige optar)! Seria ideal ir à Antártida recolher as amostras e depois ir para a Alemanha analisar as amostras. Na verdade, é mesmo isso que estou a fazer. Eu explico...

Estou agora rodeado de crustáceos que estão em várias coleções em museus aqui na Alemanha, que foram recolhidos há muitos anos por colegas meus. Sinto-me com muita sorte! Ir à Antártida é maravilhoso mas é deveras dispendioso, exigente e necessita de uma capacidade logística para apanhar os animais que desejo estudar. Acho que seria totalmente impossível apanhar todas as espécies que estou a estudar agora num único cruzeiro à Antártida. Porquê? Porque algumas espécies de crustáceos vivem em diferentes regiões da Antártida (e lembra-te que a Antártida é do tamanho da Europa!), em diferentes profundidades (umas espécies de crustáceos junto à superfície e outras só a grandes profundidades) e seria necessário possuir redes boas (rápidas, de grandes dimensões e resistentes) para as apanhar.


Daí só possível fazer este trabalho agora! Demorou muitos anos de esforço de muitos cientistas, de muitos países, de várias gerações, para reunir todos esta coleção de crustáceos e todo o conhecimento existente. Já imaginaste que um camarão recolhido por ti, que deste a um museu, poderá ser muito importante para a ciência daqui a 100 anos? É por isto que os museus me deixam maravilhado. Hoje em dia, para mim o cientista Claude de Broyer, da Bélgica, é uma autêntica lenda no que toca a crustáceos do Oceano Antártico. Isto porque cada vez que faço uma pesquisa à procura de informação sobre um determinado crustáceo, noto que ele já escreveu um artigo sobre ele! Recentemente, Claude liderou um livro muito importante sobre biodiversidade no Oceano Antártico (relata mais de 9 000 espécies, 500 páginas e mais de 3kg de peso!!!). Reune muito do trabalho sobre a distribuição e abundância de muitos crustáceos e já o usei um número ilimitado de vezes. Ele é super simpático, com um sorriso cativante e demonstra um gosto por aquilo que faz (muito mais, sempre que alguém diz crustáceo!!!!).  Na foto ele está à esquerda de Anton van de Putte  (um jovem cientista, também Belga e co-autor do livro), que estuda peixes e adora bases de dados e o seu uso livre.  E adivinha onde eles trabalham? Adivinhaste, num museu!


What would you like to to do? Going to the Antarctic or work in a laboratory in Germany? For me, the answer is...both! (yes, I am not playing fair, as the question demanded an option). It would be ideal to go the Antarctic to collect the samples I need and then go to Germany to analyse them. Well, that is extacly what I am doing. I explain...While in Germany, working with colleagues from the Alfred Wegener Institute (AWI) and University of Hamburg, I am surrounded by amazing collections of crustaceans from museums and research institutes, collected for many years by colleagues from around the world. I do feel I am lucky! Going to the Antarctic is truly wonderful but it is expensive, demanding and needs a considerable amount of logistics to catch all the crustaceans I need. Indeed, I do find it would be totally impossible to catch all my study species in a single research cruise. Why? Because the crustaceans species live in different regions (remember that Antarctica has the size of Europe), at different depths (some crustaceans live close to the surface others at great depths) and it is needed to have big, fast and resistent nets to catch them. After all these years of many scientists putting so much effort of catching crustaceans that I have at my disposal at museums, I really appreciate how special museums are. Today there are various scientists that are very inspiring. Claude De Broyer, from Belgium, is a scientist a legend when talking about crustaceans. Everytime I do a search about a certain crustacean, it is very likley that Claude wrote a research paper on it. Recently, Claude and colleagues produced an important book about Antarctic biodiversity (9000 species, 500 pages and 3 kg of weight!) that mentions numerous crustaceans I am working on. I already used in considerably. Claude (in the photo Claude (on the left) is with Anton van de Putte, another scientist that contributed ot the book) is a very nice gentleman, always with a smile, and easily i tis possible to see him enthusiastic about his research (especially if you mention the word crustacean). And Guess where he and Anton work? You got it, in a museum!





sábado, 7 de março de 2015

Crustáceos de profundidade | Deep-Sea Crustacaens



Gutten morgen!!! 


De momento, no nosso projeto estamos a estudar mais de cem espécies de crustáceos que estão presentes na dieta de predadores do Oceano Antártico, como pinguins, focas, albatrozes, baleias, petréis, peixes e até lulas.  Tudo o que come crustáceos será estudado. Claro que os crustáceos são dos alimentos mais preferidos destes predadores...pensem em camarão, é bom não é?

Um dos aspetos mais curiosos neste estudo é percebermos que muitas espécies de crustáceos são...de grandes profundidades! Mais, predadores que apenas se alimentam em águas costeiras e em poucas profundidades, tal como alguns pinguins ou albatrozes (por exemplo o albatroz viageiro, que é a maior ave marinha com cerca de 3 metros de asa a asa, só se alimenta na superficie), também encontramos espécies de crustáceos de profundidade nas suas dietas...como será isso possível? Melhor, como é que espécies de crustáceos de grande profundidade (> 300 metros de profundidade) poderão estar disponíveis a predadores que nem mergulham, e vivem limitados à superficie?

Esta questão tem sido abordada por numerosos cientistas mas ainda hoje, muito ainda está por explicar. Num dos nossos estudos de 2013 (Xavier et al. 2013. ICES J. Marine Science), revimos como as lulas do Oceano Antártico poderão estar disponíveis aos albatrozes junto à superficie. Muitas espécies de lulas fazem migrações verticais diariamente para se alimentarem (passam o dia nas profundidades e vêm junto à superfície à noite) ou em determinadas alturas do ano para se reproduzirem. Outra possível razão são outros predadores, como as baleias (que conseguem ir a grandes profundidades), regurgitarem lulas regularmente na superfície (para se verem livre dos bicos de lulas, que são estruturas não digeríveis e que se acumulam nos seus estômagos). Também se tem questionado que algumas espécies de lulas vêm à superfície, após morrerem (ficando a flutuar e disponíveis para serem comidos por predadores necrofagos). É possível também os albatrozes se alimentarem de peixe que comem lulas, logo quando se estuda a dieta dos albatrozes não sabemos se os albatrozes comeram as lulas diretamente ou não. Mais recentemente, tem-se debatido que as correntes de fundo podem ajudar as lulas, peixes e crustáceos para os ajudar a vir junto da superfície, não fazendo diferença em que profunidade cada organismo vive. Finalmente, espécies de lulas podem ser apanhadas por peixes de profundidade, e estes podem ser apanhados por pescadores (que deitam fora os estômagos dos peixes, à superficie, ficando disponíveis aos albatrozes).

Algumas destas razões podem-se aplicar aos crustáceos. Por exemplo, o camarão do Antártico Euphausia superba é conhecido por fazer migrações verticais (da profundidade para junto da superfície) regularmente....e muitos peixes alimentam-se de crustáceos que são apanhados por pinguins, focas e albatrozes...ou seja, no fim de contas, acaba por ser uma combinação destas razões do porquê crustáceos de profundidade podem estar presentes na dieta de predadores no Oceano Antártico. Quanto a certezas, mais estudos são precisos!



In our project, we are studying more than 100 species of crustaceans that are found in the diet of predators from the Southern Ocean, including penguins, albatrosses, seals, whales, petrels, prions, fish and squid. Every predator that feeds on crustaceans will be studied! Yes, they are a lot but hey, who does not like shrimps? One of the most interesting aspects of the project at the moment is noticing that numerous crustaceans live in the deep-sea (> 300 meters deep) are also available to surface living predators. How do deep-sea crustaceans become available to surface predators? One of my recent studies (Xavier et al. 2013. ICES J. Marine Science) reviewed how Antarctic squid may become available to surface predators. Many species of squid exhibit vertical migrations from the depths to near surface, either daily to feed or periodically to reproduce. Also, whales may regurgitate squid, that were caught in the deep-sea, at the surface (i.e. squid beaks, that resist digestion and stay in their stomachs, must be removed regularly). Some squid may also die and float to the surface. It is also possible that predators may eat fish that eat squid (we call it secondary digestion) so we do not know if, for example, the albatross fed directly on the squid or not (i.e. eaten by the fish first). Finally, albatrosses may feed on offal or discards (e.g. stomachs from deep-sea fish, with squid) from fishing vessels.  Some of these reasons may apply to crustaceans. For example, we do know that Antarctic krill Euphausia superba carry out vertical migrations. In conclusions, it is a probably of a mix of these reasons to explain why deep-sea crustaceans become available to surface predators. For certain, more studies are needed...